O ETOS PSICOTERAPÊUTICO

ANAIS DO VIII CONGRESSO INTERNACIONAL EM
CIÊNCIAS DA RELIGIÃO da PUC-GO.
2. O ETOS PSICOTERAPÊUTICO ESPÍRITA NO ROMANCE A MULHER QUE ESCREVEU
A BÍBLIA, DE MOACYR SCLIAR
Nome: Gismair Martins Teixeira
Titulação: Doutor
Instituição: Centro de Estudo e Pesquisa Ciranda da Arte/Secretaria de Estado de Educação,
Cultura e Esporte de Goiás.

Resumo: O etos psicoterapêutico espírita tem como princípio fundamental a relação
conflituosa da alma, tanto consigo mesma quanto em relação ao seu próximo. No paradigma
espírita, o espírito sobrevive à morte corporal e pode continuar a relacionar-se com aqueles
que conviveram com ele durante sua vida terrena. Este convívio, se conflituoso, configura
uma interação entre ambos, promovendo desequilíbrios físicos e/ou psicológicos. A tradição
terapêutica do espiritismo propõe a mediação dos conflitos da alma com a finalidade de cura,
esteja ela na dimensão espiritual ou na dimensão física. Pesquisadores espiritistas, como
Hermínio C. Miranda, desenvolveram técnicas terapêuticas espirituais, como a regressão de
memória, aplicadas a indivíduos radicados no plano físico ou no plano extrafísico, conforme o
contexto doutrinário espírita. A literatura, em sua característica de representação mimética da
realidade, vez por outra se serve desses pressupostos em suas efabulações. Neste trabalho,
apontaremos como o romance A mulher que 244escreveu a Bíblia, do escritor brasileiro Moacyr Scliar, insere-se nesse contexto, dialogando
com o etos psicoterapêutico espírita, mesmo quando a doutrina sistematizada pelo francês
Allan Kardec não aparece mencionada nos escritos dessa narrativa scliariana.
O espiritismo, doutrina sistematizada pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o
pseudônimo de Allan Kardec, na segunda metade do século XIX, na França, propõe que um
dos problemas etiológicos mais graves com que a humanidade se vê a braços é o da
influência psíquica recíproca entre os habitantes da dimensão física e os da dimensão
espiritual. A influência maléfica exercida primordialmente dos chamados espíritos
desencarnados sobre os espíritos encarnados seria a causa de um sem número de patologias
tanto psicológicas quanto físicas. Alan Kardec denomina a esse fenômeno de “obsessão”,
apresentando nas páginas da codificação espiritista (KARDEC, 2003) as gradações por ela
apresentadas.
A prática espírita, de Kardec aos dias atuais, propõe a intercessão por parte de terceiros para
o apaziguamento dos indivíduos das duas dimensões da vida que estejam envolvidos em um
conflito obsessivo, que geralmente tem sua origem em relações malsãs do passado, mediante
o processo das encarnações sucessivas. Nas últimas quatro décadas, no Brasil, tornou-se
comum no movimento institucionalizado espírita a abordagem psicoterapêutica denominada
de regressão de memória, cuja essência consiste no despertar de recordações traumáticas
multisseculares para que o espírito, encarnado ou desencarnado, realize uma catarse
purificadora de seus traumas de relacionamento com o próximo.
No espiritismo, tais práticas se realizam em reuniões denominadas de desobsessão. A técnica
é utilizada, preferencialmente, pelos mestres espirituais dessas reuniões. No entanto,
pesquisadores da dimensão física também já se utilizaram dessa prática. O mais célebre
deles é Hermínio Corrêa de Miranda. Falecido há quase três anos, Miranda pesquisou por
décadas o processo de regressão de memória, antes de aplicá-lo tanto aos espíritos
encarnados quanto aos desencarnados, conforme registro em sua obra A memória e o tempo
(2011).
Apresentaremos neste trabalho, de forma sucinta, o instigante diálogo entre esse etos
psicoterapêutico espírita e o universo da efabulação literária de A mulher que escreveu a
Bíblia, do escritor gaúcho Moacyr Scliar, cuja narrativa se 245impregna do imaginário espírita (DURAND, 1985, p.14) em sua correspondência com o
problema da saúde tanto física quanto psicológica.
A mulher que escreveu a Bíblia: sobreposição ficcional e regressão de memória
Em 1990 veio a lume nos Estados Unidos da América um livro provocador. Escrito a quatro
mãos por Harold Bloom e David Rosenberg, O livro de J apresenta uma proposta inusitada.
Nesse livro, o crítico literário estadunidense advoga que os principais livros fundadores do
judaísmo, conhecidos sob o nome de Torá, teriam sido escritos por uma mulher. Óbvio, não
seria uma mulher sem maiores predicados, mas sim uma sofisticada e irônica habitante da
corte do lendário rei bíblico Salomão, famoso por sua extraordinária sabedoria.
O livro de J possui uma composição peculiar. O poeta judeu, David Rosenberg, traduziu os
textos primitivos, procurando manter o mais próximo possível do original o tom poético da
narrativa. Harold Bloom, que também possui ascendência judaica, interpretou a tradução de
Rosenberg, expondo a sua intuição sobre a origem dos textos conhecidos na Bíblia tradicional
como Gênesis, Êxodo e Números (BLOOM, 1992). Leitor poliglota e uma das maiores
autoridades mundiais na obra de William Shakespeare, Harold Bloom faz questão de enfatizar
que a sua perspectiva em relação ao texto bíblico não possui propósitos confessionais, mas
sim literários. Para o escritor norte-americano, a Bíblia é fundamentalmente uma peça literária
e a sua autora imaginária não pensava em religião quando produziu o texto a ela atribuído
(BLOOM, 1992, p.44):69 O argumento fundamental de Harold Bloom para o seu achado é
retórico, vinculando-se mais a uma espécie de arqueologia do saber faulcultiana do que
propriamente a um achado arqueológico
69 Como disse anteriormente, poucas idéias fixas são tão difíceis de desalojar como a noção de que a Bíblia
é um “livro sagrado” de um modo completamente único. O Corão, o Livro de Mórmon e os escritos sagrados
das religiões asiáticas, sem mencionar outras obras rivais, de alguma forma não apresentam o curioso
prestígio que mantém a Bíblia mesmo para leigos e descrentes. É de absoluta importância que o leitor do
Livro de J inicie sua leitura com a consciência de que J não pensava em termos de textos sagrados quando
compôs os pergaminhos que constituem sua obra. 246em conformidade com a ciência da arqueologia. Assevera Harold Bloom (1992, p.50):70
70 Já admiti que identificar J com uma mulher é uma ficção, mas também não é menos fictícia a afirmação
rotineira e fácil de que J era um homem.
71 [...] é evidente que não compete ao poeta narrar exatamente o que aconteceu; mas sim o que poderia ter
acontecido, [...]
O crítico norte-americano não é um historiador, mas alguém que trabalha diretamente com a
matéria literária. Ao propor a sua abordagem em torno da autoria de parte do texto bíblico do
Velho Testamento, Bloom se insere de certo modo na proposição de Aristóteles em sua Arte
poética (2015).71 Sua proposição acerca da autoria J é retomada pelo sucedâneo do poeta
aristotélico – aqui configurado como o escritor de qualquer gênero literário –, que no presente
estudo é o romancista brasileiro Moacyr Scliar.
Com base na proposição bloomiana, Scliar produziu o romance A mulher que escreveu a
Bíblia, que representareia um imbricamento da asserção “o que poderia ter acontecido”.
Nessa obra, vencedora do Prêmio Jabuti de 2000, o escritor brasileiro nascido no Rio Grande
do Sul apresenta uma narrativa que se revela uma paródia bem urdida em torno da mulher
idealizada por Harold Bloom.
Em sua original narrativa, Scliar concebeu uma maneira engenhosa de fazer a ponte para o
leitor até os tempos bíblicos, mais especificamente a época da corte do rei Salomão. Para
tanto, o escritor gaúcho apresenta um professor da disciplina de História, do ensino médio,
que, apesar de inicialmente idealista, mostra-se desencantado com a sala de aula,
pretendendo mudar de profissão. À reclamação dos alunos sobre as aulas enfadonhas, o
professor-narrador concebe uma didática para torná-las mais interessantes. Faz com que os
alunos encenem eventos históricos, trajando-se como personagens do passado. Neste
ínterim, um dos estudantes que ficou encarregado de apresentar a vida de um príncipe da
Antiguidade assume a personalidade do antigo monarca, após exaustiva pesquisa
bibliográfica, passando a comportar-se como se fora realmente a personagem histórica.
Intrigado com o fenômeno, o narrador realiza estudos autodidatas para desvendar o mistério.
Em suas pesquisas, chega à hipótese que julga mais plausível para explicar como um garoto
tímido, de estrato social pouco privilegiado pôde incorporar uma personagem que era o seu
oposto. Consoante suas conclusões, 247tratava-se de um caso de regressão de memória espontânea a uma outra vida, ou
reencarnação. Dessa forma, tem o leitor diante de si um frustrado professor de ensino médio,
agora dublê de terapeuta de vidas passadas. Aplicando técnicas específicas, dentre as quais
se destaca a hipnose, o improvisado psicólogo ganha fama na peça romanesca, tornando-se
personagem requisitada, que pode abandonar em definitivo o ofício do magistério.
Em determinada oportunidade, ele recebe a visita de uma jovem interiorana, imersa em
conflitos existenciais, como um amor não correspondido. Para minorá-los, lia muito. No
colégio de freiras, destacava-se pelos seus profundos conhecimentos acerca da Bíblia. Sabia
de cor o livro bíblico Cântico dos cânticos. Submetida à técnica regressiva, ela se viu em uma
remota existência como integrante de uma tribo nômade de regiões desérticas. Ali, era a filha
primogênita do chefe do clã. Mas havia um senão. Era dotada de uma extraordinária fealdade.
Por conta disso, o casamento lhe era pouco provável. Compadecido, o escriba da tribo lhe
ensina a ler e a escrever, habilidades então raríssimas, mesmo para um homem, naqueles
recuados tempos, mais precisamente o décimo século antes de Cristo.
Contra sua expectativa, em determinado momento seu pai a envia como esposa para o rei
Salomão, numa celebração de aliança político-militar. Após muitas idas e vindas em sua
atribulada relação com Salomão e suas esposas e concubinas, este descobre em sua feia
esposa uma extraordinária escriba, o que o leva a convidá-la para escrever a história do povo
hebreu. À medida em que sua história junto ao monarca bíblico se desenrola, A Feia revela
que um antigo afeto ligado ao seu clã de origem se transforma em um conspirador contra a
vida do rei graças à influência espiritual do irmão natimorto de Salomão, fruto proibido do
relacionamento de seu pai, o rei Davi, com a esposa de Urias, Betsabeia, em célebre episódio
bíblico (SCLIAR, 2007, p.144). Ao fim de uma sessão dos transes regressivos, a consulente
do ex-professor de História tem sua vida sentimental encaminhada, o que aponta para o
sucesso da técnica terapêutica.
Neste particular, a efabulação scliariana guarda instigante correspondência com o trabalho
realizado pelo consagrado pesquisador espírita, Hermínio C. Miranda. Em 1989, no
bicentenário da Revolução Francesa, o pesquisador brasileiro lançou a obra Eu sou Camille
Desmoulins: a revolução francesa revelada por um de seus líderes, de autoria compartilhada
com o jornalista 248Luciano dos Anjos. O trabalho apresentava ao público brasileiro o resultado de horas de
gravações em fita cassete de supostas recordações de uma outra vida por parte de dos Anjos.
Em uma pesquisa inicial acerca do fenômeno de regressão, sem maiores pretensões
históricas a princípio, Luciano dos Anjos (MIRANDA; DOS ANJOS; 1989) se viu na
personalidade do jornalista francês Camille Desmoulins durante os acontecimentos históricos
que resultaram nos episódios cuja data demarcatória é 14 de julho de 1789, que ficaram
conhecidos na historiografia como Revolução Francesa.
Durante o transe, o jornalista rememorou fatos em detalhes que só puderam ser comprovados
posteriormente após pesquisas bibliográficas minuciosas e lances de golpe de sorte, como
encontrar um livro raríssimo em um sebo, com uma nota de rodapé confirmatória daquilo que
fora apresentado durante a regressão (MIRANDA; DOS ANJOS; 1989). Acerca desse livro
peculiar, o CREA - Centre de Recherches et D’Estudes Anthropologiques, da França, trouxe
em seu periódico de divulgação científica, sob o título de capa Le défi magique – esotérism,
occultisme, spiritisme, um artigo assinado por Marion Aubree intitulado De l’histoire au mythe:
la dynamique des romans spirites au Brésil. Nele, afirma Aubree (1994, p.212):72
72 Enfin, on a vu apparaître rêcemment (1989) un nouveau genre d’écrit: l’autobiographie d’un célèbre
trépassè. Celle-ci n’est plus produit par um médium psycographe qu’inspire um ‘esprite-guide’ comptant au
nombre de ceux qui ont jué um rôle dans l’Histoire, mais à partir du témoignagne qu’en donne, sous
hypnose, un vivant que l’on considere comme la réincarnation de ce personnage. Il s’agit de l’ouvrage Eu
sou Camille Desmoulins (Je suis Camille Desmoulins) qui a pour sous-titre “La Révolution Française révélé
par l’un de ses leaders”. Cet ouvrage a été produit par Herminio de Miranda, un parapsychologue spirite du
Rio, à partir de récits obtenus de Luciano dos Anjos, lui-même journaliste, au cours d’une “thérapie des vies
antérieures”.
Por fim, surgiu recentemente (1989) um novo gênero de escrita: a autobiografia de um morto famoso. Já
não é produzida por meio de um médium psicógrafo inspirado por um “guia espiritual” contado entre o
número daqueles que desempenharam um papel na história, mas a partir de evidências do testemunho
dado, sob hipnose, por um vivo que é considerado a reencarenação do personagem. É o caso do livro Eu
sou Camille Desmoulins, que tem o subtítulo de A Revolução Francesa revelou um de seus líderes. Este
livro foi produzido por Hermínio Miranda, um parapsicólogo espírita do Rio, a partir de narrativas obtidas de
Luciano dos Anjos , ele mesmo um jornalista, durante uma “terapia de vidas passadas”. (AUBRE, 1994,
p.212; tradução livre minha)
A técnica de regressão de memória aplicada em Luciano dos Anjos, que o fez regredir a uma
vida anterior, seria usada fartamente nos espíritos desencarnados por Hermínio Corrêa de
Miranda, conforme pode ser pesquisado na série por ele publicada sob o título de Histórias
que os espíritos contaram , composta dos volumes A dama da noite (1997), O exilado e
outras histórias que os espíritos contaram (1985), A irmã do vizir e outras histórias que os
espíritos contaram (2005) e As mãos de minha irmã (2011). Nesses relatos, almas em
profundo desequilíbrio 249reencontram o cerne de suas dores seculares, o que as leva a um processo de purificação de
seus traumas, num etos remissivo à efabulação de A mulher que escreveu a Bíblia, de Moacyr
Scliar, cuja personagem se reequilibra emocionalmente após descobrir os motivos de suas
dores em outra vida recuada no tempo e no espaço.
Conclusão
O paradigma espírita tem por base a existência do espírito e sua preexistência à vida física,
sobrevivência à morte e reencarnação em novos corpos para ascender continuamente na
escala evolutiva até à perfeição possível, bem como a sua comunicabilidade com os
chamados vivos, quando no mundo espiritual, através do processo denominado por Allan
Kardec de mediunidade. No relacionamento entre os seres, muitos conflitos têm origem. O
etos psicoterapêutico espírita se caracteriza pela intercessão junto a almas em profundo
desajuste espiritual com a finalidade de reencaminhá-las a um processo de equilíbrio
psicofísico. A regressão de memória é uma das ferramentas possíveis neste processo de
terapia espiritual. A literatura, em seu caráter de mimese – representação da realidade –
reproduz algo dessa possibilidade apresentada no conjunto da obra de Hermínio Corrêa de
Miranda. A mulher que escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar, trabalha sua narrativa em íntima
consonância com a pesquisa de Miranda, configurando um caso de extraordionária e, a
princípio, insuspeita intertextualidade, que mereceria desdobramentos ulteriores em sua
abordagem no campo da cultura e das artes.
Referências
AUBRÉE, Marion. La nouvelle dynamique du spiritisme kardéciste. De l’histoire au mythe : La
dynamique des romans spirites au Brésil. In : MARTIN, Jean-Baptiste e LAPLANTINE,
François. Le défi magiques. Ésoterisme, occultisme, spiritisme. Lyon: Presses Universitaires
de Lyon, 1994.
ARISTÓTELES. Arte poética. Disponível em
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000005.pdf Acesso em: 26/02/2016. 250BLOOM, Harold. O livro de J. Tradução de Monique Balbuena . Rio de Janeiro: Imago, 1992.
DURAND, G. As estruturas antropológicas do imaginário. Tradução de Hélder Godinho.
Lisboa: Editorial Presença, 1989.
KARDEC, ALLAN. O livro dos médiuns, ou, Guia dos médiuns e dos evocadores: espiritismo
experimental. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2003.
MIRANDA, Hermínio de. A memória e o tempo. Niterói, RJ: Publiações Lachâtre, 2001.
MIRANDA, Hermínio de; ANJOS, Luciano dos. Eu sou Camille Desmoulins - A Revolução
Francesa revelada por um de seus líderes. São Paulo: Arte e Cultura, 1989.
MIRANDA, Hermínio. A dama da noite. Coleção histórias que os espíritos contaram. São
Paulo: Ed. Correio Fraterno, 1997.
______O exilado e outras histórias que os espíritos contaram. Coleção histórias que os
espíritos contaram. São Paulo: Ed. Correio Fraterno, 1985.
______A irmã do vizir e outras histórias que os espíritos contaram. Coleção histórioas que os
espíritos contaram. São Paulo: Ed. Correio Fraterno, 2005.
______As mãos de minha irmã. Coleção histórias que os espíritos contaram. São Paulo: Ed.
Correio Fraterno, 2011.
Scliar, Moacyr. A mulher que escreveu a Bíblia. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

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