KARDEC


Publicado em Sexta, 12 Setembro 2014 17:38 
- Publicado no Jornal Diário da Manhã dia 24 / 1 0 / 2013-
Neste mês de outubro a Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás deseja homenagear o
Codificador do Espiritismo, o insigne Allan Kardec.

Allan Kardec foi o pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor e cientista francês
dedicado à educação e às ciências biológicas e exatas, mas que se notabilizou por ser o organizador
do Espiritismo. Nascido em Lyon, na França, em três de outubro de 1804, filho de Jean-Baptiste
Antoine Rivail, juiz do tribunal de Lyon e advogado, e Jeanne Louise Duhamel, tendo desencarnado
em 31 de março de 1969, em Paris. Adotou esse nome porque recebeu uma informação espiritual de
que teria reencarnado entre os druidas, na Gália, com o nome de Allan Kardec e também porque
queria diferenciar a doze obras espíritas dos seus nove livros didáticos. Foi aluno brilhante de
Pestalozzi e grande divulgador de suas ideias e trabalhos. Também foi casado com a professora,
poetisa e artista plástica francesa Amélie Gabrielle Boudet (1795-1883), colaboradora e
incentivadora constante das obras e ideias espíritas.
Kardec foi membro da Academia Real de Arras e de outras sociedades culturais da Europa. Falava
fluentemente o Inglês, o alemão, o italiano, o espanhol e o holandês, além de traduzir obras para
estes idiomas. Lecionava Astronomia, Anatomia Comparada, Física, Fisiologia, Matemática,
Retórica e Francês. Também trabalhou como contador de várias empresas da França. Os seus
biógrafos afirmam que ele, mesmo descendendo de família rica, era um homem que gostava de ter
uma vida simples. Residia em um pequeno apartamento de um quarto em Paris e vivia com o
necessário para sua subsistência. Não teve filhos, mas tratava os seus alunos com respeito e zelo
paternal. Era um homem humilde, justo e generoso.
Conforme afirma o escritor espírita Herculano Pires, “Allan Kardec nasceu em 18 de abril de 1857”
com o lançamento da monumental obra ‘O Livro dos Espíritos’. Obra filosófica que trata dos
princípios da Doutrina Espírita e que despertou interesse dos principais pensadores e futuros
espíritas franceses do seu tempo: Victor Hugo, Gabriel Delanne, Camille Flammarion, Théophile
Gautier, Gustave Gelev, Jean-Baptiste Roustaing, Maurice Lachâtre, Paul Gibier, Pierre-Gaetan
Leymarie, Charles Robert Richet, Victorien Sardou e outros.
O Livro dos Espíritos foi o resultado de intensa pesquisa em torno das manifestações dos Espíritos,
iniciada por meio do fenômeno das mesas girantes e outras manifestações mediúnicas ocorridas
ostensivamente nos Estados Unidos e na Europa no século XIX. É um livro de perguntas
formuladas por Kardec e de respostas produzidas por espíritos superiores, os quais esclarecem a
respeito das principais dúvidas filosóficas, científicas e religiosas da Humanidade e do objetivo
espiritual do Espiritismo: ser o Consolador Prometido por Jesus. Em decorrência desse trabalho
exaustivo e promissor, Kardec lança mais quatro livros, considerados clássicos do Espiritismo: O
Livro dos Médiuns, em 1861, trata do aspecto científico do Espiritismo por meio do estudo da
mediunidade; O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 1864, obra que interpreta os ensinos de
Jesus, segundo as interpretações dos Espíritos Superiores; O Céu e o Inferno, em 1865, livro que
esclarece a respeito dos mecanismos da justiça divina; A Gênese, em 1868, trabalho que aborda
cientificamente diversos aspectos da Astronomia e dos Evangelhos. Além dessas e de outras obras
espíritas, também Kardec publicou Revista Espírita, periódico científico mensal publicado de 1858
até o ano de 1869.
O insigne Codificador Allan Kardec fez um resumo da Doutrina Espírita na introdução de “O Livro
dos Espíritos” (Edição, 72ª, da Federação Espírita Brasileira, com a tradução do seu saudoso
presidente – Dr. Guillon Ribeiro) para melhor preparar os leitores e estudiosos acerca das verdades
eternas ministradas pelos Espíritos superiores. Por isto extraímos de sua introdução este resumo
para melhor esclarecer o leitor na compreensão de alguns pontos desta obra:
“Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.
Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível
ou espírita, isto é, dos Espíritos.
O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.
O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por
isso se alterasse a essência do mundo espírita.
Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte
lhes restitui a liberdade.
Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação
dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e
intelectual sobre as outras.
A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
Há no Homem três coisas: 1ª., o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo
princípio vital; 2ª., a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3ª., o laço que prende a
alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.
Tem assim o Homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos
lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A
morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui
um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente
visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.
O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível conceber-se pelo pensamento. É um
ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.
Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência,
nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se
distinguem dos outros por sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza
de seus sentimentos e por seu amor ao bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se
acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua
maioria, eivados das nossas paixões; o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho etc. Comprazem-se no
mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito maus, antes
perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconsequências parecem ser o que
neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.
Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram, passando por
diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é
imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre
sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.
Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova
existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em
estado de Espírito errante.
Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas
existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros
mundos.
A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar que a alma ou
Espírito possa encarnar no corpo de um animal.
As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas a
rapidez de seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.
As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado; assim, o homem de bem é a
encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.
A Alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do
corpo.

Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as
suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo
mal que fez.
O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o Homem que vence esta influência, pela
elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia
estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação
dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza
animal.
Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda
parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população
invisível, a mover-se em torno de nós.
Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam
sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente
de uma multidão de fenômenos até então inexplicados e que não encontram explicação racional
senão no Espiritismo.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem,
nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus
nos impedem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos sucumbir e assemelhar-nos a eles.
As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam
pela influência boa ou má, que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as
boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de
outras manifestações materiais quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.
Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os das personagens
mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou
inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a
situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revela-
ções que lhes sejam permitidas fazer-nos.
Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os
evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem
e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles
afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a
liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam
maus instintos. Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem
esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam
nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam
constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de
qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam
sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é
inconsequente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma boa e verdadeira, muito
mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou por ignorância. Zombam da credulidade dos
homens e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes
os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do
termo, só são dadas nos centros sérios, onde reine íntima comunhão de pensamentos, tendo em vista
o bem.
A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos
outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste
princípio encontra o Homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.
Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza
animal, prendendo-nos à matéria; que o Homem que, já neste mundo, se desliga da matéria,

desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que
cada um deve tornar útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para
experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride
a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e
patenteadas todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para
com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao
estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na
Terra.
Mas ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de
consegui-lo encontra o Homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.”
Que o nosso amado Jesus esteja entre nós e abençoe Allan Kardec por todo o seu trabalho de luz e
de esperança.
Mércia terezinha carvalho de aguiar
-presidente da academia espírita de letras do estado de goiás-

Navegação Estrutural

Índice

- Home
- Academia
-----Sobre - Objetivos - Estatuto
-----Diretorias - Patronos
- Membros
-----Titulares - Correspondentes
- Artigos
- Obras
- Links
- Biblioteca
-----Doutrinários - Outros
- Mídias
-----Álbuns - Vídeos
- Contato