Evolução


Publicado em Sexta, 12 Setembro 2014 17:58
Por Maria Helena Leite


Qualquer pessoa que tenha lido ou estudado, um livro espírita que seja, já se deparou com o tema
Evolução, pois de uma maneira ou de outra, ele faz parte das obras espíritas, mesmo dos romances,
em suas entrelinhas ou moral da estória.

Portanto, nos é um tema extremamente familiar, ou seja, nós espíritas já temos a convicção de que:
a perfeição é o nosso objetivo e evolução a nossa grande meta existencial.
O nosso caminho evolutivo assim como o caminho evolutivo de tudo que existe iniciou-se da
mesma forma, ou seja, com nosso nascimento espiritual em algum tempo do passado infinito.
Provavelmente há alguns bilhões de anos atrás.
A criação de tudo que existe não aconteceu como um passe de mágica. Os sete dias da Bíblia, a
história de Adão e Eva são somente didáticas, é claro.
Às vezes, até quando estudamos sobre o Big Bang imaginamos a explosão e o aparecimento dos
mundos, dos planetas, das galáxias e dos seres prontos, exatamente como em um passe de mágica.
Mas Deus não criou os seres e os mundos como eles existem hoje. Deus criou e continua criando as
essências, que chamamos de essências divinas, ou centelhas divinas ou ainda mônadas, inteligência
ou princípio inteligente.
Estas essências tem em si a potencialidade divina, ou seja, são imagens de Deus.
Portanto, tudo que existe é divino, foi criado por Deus em essência e nesta essência está latente a
perfeição que é a destinação de tudo que foi criado.
Quando o livro dos espíritos nos afirma que fomos criados simples e ignorantes, está se referindo a
nossa essência primária: sem formas, sem passado, sem corpos, sem consciente ou inconsciente,
sem emoções, tendo, contudo, latente em si, os atributos de Deus.
Quando Jesus nos afirmou que somos Deuses, estava ele também se referindo à nossa essência, que
é uma Centelha de Deus e ao nosso destino que é a manifestação de Deus.
As essências, ou centelhas divinas ou ainda mônadas, foram criadas em grupos, iniciaram a partir
dali sua grande jornada em busca da consciência, da perfeição e da auto-realização, que podemos
chamar também de felicidade, ou seja junção máxima do Amor e da Sabedoria.
Mas e a nossa Jornada até aqui, como se deu ??
Em nosso primário entendimento sobre o inicio do nosso processo evolutivo, várias são as teorias,
contudo, vamos seguir hoje a teoria que é mais simpática ao nosso raciocínio pessoal, que é a teoria
da evolução através dos reinos.
Esta teoria encontramos em obras de Leon Dennis, na incomparável obra de André Luiz “Evolução
em Dois Mundos”, mais recentemente em várias obras de Joana de Angelis, psicografadas por
Divaldo Franco, que explicam a evolução da psique humana e no livro “Ensina-me a Falar de Amor
de Luiz Sérgio, entre muitos outras.
Ela nos explica que Deus cria os espíritos (essências) simples e ignorantes; que partem da dimensão
espiritual absolutamente sem formas ou corpos, mas tendo gravadas em si o arquétipo ao qual são
destinados, ou seja, o arquétipo da perfeição. Para isso precisam do contato com a matéria.
Quando essas essências chegam ao mundo manifesto, ou seja, quando passam a existir,
materializam-se primeiro no reino mineral, depois no reino vegetal, após esta fase, encarnam no
reino animal e só depois entram no reino hominal ou humano, em um esforço de bilhões de anos de
caminhada e aquisições feitas passo a passo numa construção de si mesmos rumo ao reino
angelical.
Quem nos coloca esta teoria com maestria de detalhes impressionantes é André Luiz em sua obra
Evolução em Dois mundos, uma obra que deve ser estudada por todos que se interessam pelo
assunto.
Ele coloca que:

“ todos os órgãos do corpo espiritual e, consequentemente do corpo físico foram construídos com
lentidão, atendendo-se a necessidade do campo mental em seu condicionamento e necessidade na
exteriorização no meio terrestre.
É assim que o tatonasceu no principio inteligente, na sua passagem pelas células nucleares em seus
impulsos amebóides; que a visãoprincipiou pela sensibilidade do plasma nos flagelados
monocelulares expostos ao clarão solar; que o olfato começou nos animais aquáticos de expressão
mais simples; que o gosto surgiu nas plantas...”
Conclui André Luiz neste capitulo específico que:
O princípio inteligente, estagiando na ameba, adquire os primeiros automatismos do tato; nos
animais aquáticos, o olfato; nas plantas, o gosto; nos animais, a linguagem.
Hoje, somos o resultado de todos os automatismos adquiridos nos vários reinos da natureza.
Assim, no reino mineral adquirimos a atração; no reino vegetal, a sensação; no reino animal,
o instinto; no reino hominal, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e a razão.
Aqui fica claro que o caminho evolutivo não é uma escada, mas sim um círculo em que a essência
sai de Deus, simples e ignorante. Inicia a caminhada, vai se formando, formando corpos,
desenvolvendo atributos e características como a sensibilidade, o reflexo, o instinto, a inteligência e
a razão. Quando chega na idade da razão suas vivências são conscientes, planta e colhe, aprende
pela dor e pelo amor os caminhos do pai e começa então o caminho do retorno à sua origem divina.
Esta consciência vai libertando-a, até leva-la a iluminar-se e chegar ao Reino Angélico.
Este reino significa finalmente:O fim de sofrimentos, a sublimação e ativação de seus corpos mais
sutis, a eliminação dos corpos mais grosseiros que deixam de existir e de ser necessários, a
conquista das virtudes máximas, a culminância do Amor e Sabedoria, a Plenitude, que é Deus, ou
seja: é a volta para Deus, fechando assim o circulo evolutivo
Sabemos que a evolução não cessa aqui. Sabemos que o reino Angelical é formado por Anjos, que
mais tarde se tornam Arcanjos e depois Serafins que são os grandes trabalhadores siderais e depois,
quem sabe o que nos tornaremos...mas hoje nós vamos parar por aqui.
A lei do progresso é universal. Ela não se aplica somente ao homem, pois em todos os reinos da
natureza existe uma evolução.
O processo incessante da evolução se dá sempre das formas inferiores para superiores, das mais
simples para as mais complexas.
Mas o que está evoluindo não é somente a forma, mas a vida interna. É claro que as formas também
evoluem e tornam-se melhores à medida que o tempo transcorre; para que possam ser veículos
apropriados para as essências mais e mais avançadas.
Contudo, nesta escala da evolução, o pensamento, a consciência, a liberdade não aparecem senão
após muitos degraus. Como muito bem sintetiza Leon Dennis: Na planta, a inteligência dorme; no
animal, ela sonha; somente no homem se desperta, se conhece, se possui e se torna consciente.
Como conclusão deste estudo queremos colocar que :
Deus nos criou por amor. Ele nos criou puros e ignorantes. Somos uma centelha de seu Magnífico
Ser, que em determinado momento da cronologia imortal desprendemos Dele e iniciamos nossa
milenar jornada na busca de sabedoria e amor nas incontáveis encarnações nos mundos físicos do
Universo.
Ninguém foge à incontestável Lei do Progresso. Nossa caminhada é sempre para cima e para frente.
Não há retrocesso espiritual. Os valores conquistados jamais são perdidos.
Todos nós, filhos de Deus somos eternos e estamos inseridos dentro de um programa evolutivo que
deve ser alcançado.
Mas não se enganem aqueles que acreditam que fomos criados como somos hoje, que somos uma
criação a parte dotados de inteligência e razão, portando seres privilegiados da criação.
Nem aqueles que acreditam que os anjos e arcanjos de hoje tiveram o que chamamos de evolução
linear, sem vivenciarem carmas ou encarnações físicas.
A primeira Lei do Universo é a Lei da Justiça. Deus jamais permitiria condições diferenciadas aos
seus filhos durante a jornada evolutiva. Todos os filhos de Deus seguem o mesmo processo
evolutivo, passando por todos os estágios primários de despertamento espiritual.

A evolução exige esforço em todos os estágios. Não foi fácil a nossa caminhada até aqui.
Os responsáveis por nosso crescimento espiritual sempre fomos nós mesmos até aqui e continuará
sendo daqui para frente.
Jamais outra pessoa poderá educar os nossos sentimentos, porque o processo evolutivo é um
processo de auto-educação, cabendo a nós mesmos sermos mestres e aprendizes. Grandes
exemplos podem nos mostrar o caminho, como o fez Jesus, mas somente uma reforma interior
poderá educar os nossos próprios sentimentos.
É necessário sempre lembrar que neste estágio atual que nos encontramos, o estagio da razão,
precisamos fazer, conscientemente, a nossa parte na meta suprema estabelecida para este estágio,
pois compreendemos que cada etapa evolutiva possui a sua meta..
Mas.. qual é a nossa meta neste momento?
Ela foi estabelecida por Jesus há dois mil anos: * “Ama ao teu próximo como a ti mesmo”.
Quando conseguirmos atingir esta meta de nosso estágio atual, estaremos direcionando nossas vidas
a uma fantástica viagem de transformação espiritual que mudará definitivamente o nosso futuro nos
próximos séculos: Abandonaremos finalmente nosso “rosário de encarnações” de expiação e
provas e ingressaremos nas agradáveis reencarnações de regeneração espiritual, das quais estamos
muito próximos... se quisermos.
Que Jesus, nosso Mestre maior, possa continuar nos abençoando e nos guiando nesta fantástica
caminhada evolutiva, agora e sempre. Que Ele nos dê força e sabedoria para cumprirmos nossas
metas evolutivas e nos lançarmos aos nossos próximos passos, em nosso caminho de volta ao Pai
Maior.

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