|Aprendendo a Perdoar

 

Há dois mil anos, nas paragens da Galileia, Jesus, o Divino Mestre, em sua forma tão particular de ensinar nos afirmou: Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida e ninguém vem ao Pai se não por mim.

Com estas palavras ele estava nos informando que, o que ele veio nos trazer, as lições e os exemplos, eram o caminho que precisaríamos seguir nesta etapa evolutiva, para chegar ao Pai, ou seja, à nossa ascensão espiritual. Ninguém conseguiria avançar sem seguir, obrigatoriamente, estes ensinamentos, que ele, não só ensinava, não só exemplificava, mas também plasmava com sua mente poderosíssima de Cocriador na egrégora do planeta Terra, em todas as suas dimensões, deixando estas lições indeléveis também em nosso inconsciente mais profundo, como uma sementinha que poderia ser despertada a qualquer momento, em que, usando o nosso livre arbítrio, decidíssemos.

E qual foi a essência das lições de Jesus? O que ele nos ensina de mais importante para a nossa libertação deste nível evolutivo que nos encontramos, qual a chave para adentrarmos a nova Era de Regeneração tão esperada?

Na verdade, todos nós, espíritas e cristãos, sabemos de cor e salteado, pois, temos ouvido sobre isso há dois milênios, encarnação após encarnação, de várias formas, em várias línguas:

A essência dos ensinamentos de Jesus é: O amor incondicional, a humildade e o perdão das ofensas. Sendo estas três virtudes totalmente interligadas, pois, para se ter amor incondicional é preciso ter humildade e saber perdoar. Para perdoar é necessário humildade e amor incondicional. Claro que ele nos ensinou várias outras coisas, mas se fossemos resumir em três tópicos seriam estes.

Dentro do Espiritismo, a maioria das palestras que assistimos, e os livros que lemos, nos trazem e nos falam sobre a importância do perdão.

Por isso, não somaria absolutamente nada, repetir sobre a importância de aprender a perdoar toda e qualquer ofensa, pequena ou grande, em qualquer convivência e relacionamento seja familiar ou não, seja entre amigos ou desafetos.

Isso já temos aprendido há milênios, e todos nós, sem nenhuma exceção, já sabemos desta máxima. Na verdade, creio que provavelmente a maioria de nós tem até muita vontade de conseguir perdoar incondicionalmente tudo e todos.

Contudo, a maioria, ainda guarda dentro de si alguma mágoa, tristeza, raiva, frustração, às vezes até ódio por alguma maledicência, maltrato, injustiça, traição, abandono, perda, ou seja, alguma ferida aberta por alguém ou por alguma situação da vida.

E estas feridas ficam lá no fundo, pesando, doendo, incomodando, machucando, ocupando muitas vezes um espaço enorme dentro de nós e em nossas vidas.

Há alguns anos atrás, lemos no maravilhoso livro “ Manual Completo de Ascensão” escrito pelo Dr. Joshua David Stone a seguinte afirmação: “Ascenção é Libertação”.

Esta afirmação nos leva a pensar que, o que nos segura neste patamar evolutivo atual que nos encontramos, são os nossos apegos, sejam materiais, sejam emocionais, sejam em padrões mentais. Nos apegos emocionais e mentais entram os nossos traumas e condicionamentos de todos os tipos, de vidas passadas e desta vida. Padrões que não conseguimos nos desvencilhar para seguir em frente. Então ficamos repetindo encarnação após encarnação estes mesmos padrões andando muito lentamente para frente e para cima.

Nesta máxima “Ascenção é Libertação”, entendemos que não existe libertação sem o perdão, e foi exatamente isso que Jesus veio nos avisar.

Eu sou o caminho a verdade e a vida, e ninguém vem ao Pai se não por mim, quer dizer: os meus ensinamentos são os códigos iniciáticos da libertação do espirito desta escuridão dos planos densos. Ninguém sai deste pântano se não se libertar dele por si mesmo, através do aprendizado do amor incondicional e do perdão que levam a libertação.

Perdoar é desapegar-se do limbo dos outros, do nosso próprio limbo e do limbo do mundo. Perdoar é limpar-se da densidade dos sentimentos grosseiros do ódio, da magoa, da raiva, da tristeza.

Mas, por que, mesmo sabendo, mesmo querendo, ainda temos dificuldade em perdoar incondicionalmente? Muitas vezes temos dificuldade em perdoar porque analisamos a questão de forma equivocada. Vejamos alguns pontos que nos acontecem.

Primeiro ponto: Quando alguém nos fere, nos calunia, nos trai, achamos, as vezes, que não devemos ou não conseguimos perdoar porque não iremos ser coniventes com o erro, com a injustiça, com a arrogância, com a maldade alheia. Contudo, no Universo, não é assim que funciona. O espiritismo nos ensina que isso não procede.

Quando perdoamos nos libertamos do acontecido, mas cada um, com certeza, responderá pelos seus atos de acordo com a lei de causa e efeito. O nosso perdão não isenta o outro do acerto com o Universo e com sua própria consciência.

O Segundo ponto que devemos nos conscientizar é que, quando enchemos o nosso coração de mágoa, raiva ou tristeza por causa de algo que alguém tenha feito, estamos abrindo mão do nosso poder pessoal e entregando tal poder para esta pessoa, ou situação.

Estamos dando a eles poder sobre nós. Esta pessoa, ou situação está tendo o poder de afetar e controlar nossa vibração. Será que é isso que queremos? Este poder deveríamos dar somente ao nosso EU Superior que é nosso Espírito e a Deus, nosso criador. A mais nada e ninguém.

O Terceiro ponto importante nesta questão: Quando o feito de alguém ecoa em nós causando magoa, raiva ou ódio, criamos um elo energético com esta pessoa e este acontecimento, pois, enquanto o amor liberta, o ódio prende.

E aí, vida após vida, não perdoamos e vamos só aumentando e acumulando elos, os cordões que nos prendem a um monte de gente e um monte de situações negativas.

E porque estas situações nos traumatizam, criamos padrões repetitivos das mesmas situações, em um círculo vicioso e sem fim, encarnação após encarnação, ligados à estas mesmas pessoas e vivendo as mesmas situações até, aprendermos através da dor, sobre o que poderíamos ter aprendido lá atrás, através do amor e do perdão.

Somente o perdão é capaz de nos desvencilhar de elos de ódio criados em outras vidas e nesta, nos libertando finalmente para nos movermos em frente para novas experiências. E mesmo que o outro não nos perdoe, isso não impede a nossa libertação, se estivermos quites com a situação, pois a interpretação e escolha de cada um pertence somente à ele.

Isso nos leva ao quarto ponto da questão: Estudos de psicologia nos mostram que nossa mente consciente corresponde a somente 5% da nossa mente como um todo, os outros 95% são formados pelo nosso subconsciente e inconsciente. A mente consciente é a que raciocina e reflete.

O subconsciente pode ser comparado a um gravador ou um computador, que grava tudo que já nos aconteceu, desde o princípio de nossa escalada evolutiva, por isso é chamado de porão, pois tem muita coisa guardada nele. Ele não julga se o que está gravando é verdadeiro ou falso, realidade ou ilusão, ele somente grava.

Neste raciocínio, tudo que nos acontece é percebido por nós através de uma lente composta 5% pelo que estamos analisando conscientemente e 95% pelo que está gravado, cristalizado e condicionado em nosso subconsciente e inconsciente, ou seja, em nossas interpretações dos fatos, mais projetamos do que raciocinamos.

Talvez, a grande parte de nossas mágoas sejam simplesmente projeções nossas sobre a situação vivida.

O livro Um Curso em Milagres, estudado no mundo inteiro, nos ensina sobre separarmos o real do irreal, ou seja, a realidade da projeção. Em sua primeira lição, nos diz o seguinte: “Nada do que vejo neste lugar significa coisa alguma”

Ou seja, nada do que podemos ver, ouvir ou tocar, tem sentido algum por si mesmo. Tudo no Universo é neutro. Todo o sentido, positivo ou negativo, somos nós que damos, de acordo com a lente que usamos para interpretar.

Esta lição por si só é um despertar iniciático profundo, uma conscientização capaz de mudar tudo em termos de nos responsabilizarmos pelas nossas percepções e interpretações sobre o mundo.

Como nos ensina Dr. Joshua David Stone: se olharmos o mundo com as lentes do amor, e projetarmos amor em todas as situações, nem mesmo nos sentiremos magoados. Interpretaremos as dificuldades da vida como lições a serem aprendidas. Interpretaremos as falhas dos outros como algo natural, como questões deles, projeções deles, imaturidade deles, não nos deixando afetar por isso, não dando poder à outros sobre nós.

Será que um ser como Jesus se magoaria com alguma coisa??? Trata-se de um espirito já puro, inclusive de subconsciente, de qualquer tipo de ilusão, orgulho, melindre ou projeções. Um ser totalmente capaz de saber a diferença entre o real e irreal.

Quando, há dois mil anos atrás, o caluniaram, o prenderam, o açoitaram, colocaram-no uma coroa de espinhos, o zombaram, expuseram-no em vexame público, e por fim, o pregaram na cruz, ele se magoou? Não. Ele aproveitou a ocasião para ensinar e exemplificar.

Elevou os olhos ao Criador pedindo misericórdia para todos, dizendo

“Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem” Em outras palavras: ainda são crianças espirituais, tenha misericórdia deles.

A maioria de nós, buscadores do crescimento espiritual, queremos, de toda nossa alma, aumentar o nosso quantum de Amor e Luz, ou seja Amor e Consciência, Amor e Sabedoria.

Mas, como poderemos aumentar luz, se ainda mantivermos sombra dentro de nós? É necessário nos conscientizarmos que precisamos abrir espaço em nós mesmos, para que a luz divina, que é nossa essência, se expanda e nos preencha. E nós somos os únicos que podemos fazer isso.

Jesus veio de planos muito, muito sutis para nos dizer isso, para nos ensinar o caminho de nossa libertação de tudo aquilo que nos prende à este patamar atual, desta era multimilenar que se finda.

Ele nos chamou e continua de braços abertos como a dois mil anos atrás, a única diferença é que agora não temos mais tempo de ficar patinando em nossas questões. Já está se passando a hora da nossa libertação, mas está quase já tarde demais. Tenhamos bastante atenção.

Aproveitemos as configurações deste momento atual, que apesar de tumultuado, está bem favorável à limpeza do nosso limbo que são nossas mazelas interiores, e nos libertemos de questões milenares que nos prendem em círculos à este patamar denso de dores e sofrimentos. Desapeguemo-nos de nossas sombras para abrir espaço para a luz e o amor existente em nossa essência divina que pede espaço para manifestar.

M. Helena Leite, empresária, espírita, médium do Grupo de Edificação Espírita, membro da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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