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Nós e a Natureza.

 

 

O objetivo deste texto é refletirmos sobre a preservação da vida em nosso Planeta. Para tanto, analisaremos a importância de estamos em sintonia constante com a natureza, com o Meio Ambiente, evitando o desperdício e o uso descontrolado dos recursos naturais.
Diante destes fatos, quais os subsídios que a Doutrina Espírita pode nos fornecer para um comportamento ambiental mais consciente?
Mas, antes de prosseguirmos com nosso estudo, vejamos alguns conceitos que irão facilitar a compreensão dos assuntos que iremos debater.
Ambiente: o que é Ambiente?
Segundo Polis, ambiente é o conjunto de todos os elementos, vivos ou não vivos, atuais ou passados, que, não fazendo parte integrante do organismo ou grupo de organismos, tem com ele ou eles relações diretas ou indiretas interagindo no tempo e no espaço.
Por Meio Ambiente entende-se tudo o que nos rodeia, ou seja, o ar, as plantas, os animais, as indústrias, os aeroportos, os aviões, etc.
Bem… ouvimos muito falar em sustentabilidade. Mas o que é de fato termos um planeta sustentável?
Segundo Leonado Boff, em seu livro “Sustentabilidade – O que é – O que não é”, sustentabilidade significa “o conjunto de processos e ações que destinam a manter a vitalidade e a integridade da Mãe terra, a preservação de seus ecossistemas com todos os elementos físicos, químicos e ecológicos que possibilitam a existência e reprodução da vida, o atendimento das necessidades da presente e futuras gerações, e a continuidade, a expansão e a realização das potencialidades da civilização humana em suas várias expressões.
Desde que o homem surgiu no cenário planetário os impactos sobre o meio ambiente se iniciaram. O fogo talvez tenha sido o primeiro elemento a modificar o planeta em que vivemos. É claro que os primitivos, sem o conhecimento da tecnologia, tiveram um impacto muito menor do que aquele que se assiste na atualidade.
Interessante notar que mesmo o homem tendo sido uma das últimas criaturas a ter aparecido na crosta terrestre, tem provocado alterações tão significativamente negativas no ambiente em que vive.
O Planeta Terra sempre nos oferece o suficiente desde que saibamos utilizar os seus recursos naturais com parcimônia. Quer queiramos ou não, há uma lei natural que rege todas as nossas ações: boas ou más. Assim, se comermos em demasia, poderemos contrair uma doença; do mesmo modo, se poluirmos o espaço mais do que ele pode suportar, poderemos presenciar alguma calamidade. Em sendo assim, uma reflexão sobre as Leis Morais capacita-nos a melhor utilizar os recursos que a divindade empresta-nos para auxiliar a nossa evolução espiritual.
Allan Kardec, ao tratar em O Livro dos Espíritos, da Lei de Conservação e da lei de Destruição oferece-nos subsídios para avaliarmos estas questões.

Diz-nos, em resposta à pergunta 705 – Por que a Terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?,
Resposta:

-É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes também acusa a Natureza do que só é resultado de sua imperícia ou da sua imprevidência. A Terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que o emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário…

Na pergunta 717 – Alan Kardec faz o outro questionamento:

Que se deve pensar dos que se apropriam dos bens da Terra para proporcionarem o supérfluo, com prejuízo daqueles a quem falta o necessário?
Resposta: “Desprezam a Lei de Deus e terão que responder pelas privações que houverem causado a quem falta o necessário”
O desenvolvimento econômico deve estar então a par do desenvolvimento espiritual.
Mais adiante, em resposta à pergunta 735 , Kardec faz outra pergunta – Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança?
Diz-nos que é “A predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem mais do que necessitam, mas o homem, que tem livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois nesses casos ele cede aos maus instintos”.
Sabemos que a cadeia alimentar é o sistema no qual se processa a transferência de energia, de organismos vegetais para uma série de organismos animais, por intermédio da alimentação e por meio de reações bioquímicas. Cada elo da cadeia alimentar alimenta-se do organismo precedente e, por sua vez, alimenta o seguinte.
Somos, assim, parte de uma vasta gama de inter-relações, onde uma espécie alimenta-se da outra para sobreviver. O homem encontra-se no final dessa cadeia transformadora. Cabe-lhe a responsabilidade da defesa e preservação ambiental, a fim de manter o equilíbrio do Planeta.
Há estimativas de que cada ser humano produz 600 gramas de lixo por dia. Baseando-se numa família média brasileira, composta por quatro pessoas, obtém-se o total de 876 quilos por ano. Se projetarmos esses números para o mundo todo – uma população de mais de 7 bilhões de pessoas , teremos lixo que não acaba mais. O aumento populacional e o consequente acréscimo de lixo criam-nos um problema: onde jogá-lo? Como fazer para que não contamine o ambiente? Isso sem considerar que a maior parte corresponde a materiais recicláveis, que no Brasil chega a 85% do total e é quase todo desperdiçado.
Os animais, utilizando o instinto, só consomem aquilo que satisfaz as suas necessidades. Vivendo naturalmente, eles não causam desastres ecológicos, porque a própria natureza incumbe-se de manter o equilíbrio. Um exemplo: o excesso de formiga é eliminado pelo aparecimento do tatu e do tamanduá.
Se quisermos que o nosso planeta seja sustentável, temos que mudar nossas atitudes e modificar nosso olhar sobre ele, pois é o único instrumento, além do nosso corpo, que possibilita o nosso progresso espiritual na atual encarnação.
Hoje todas as formas de vida estão ameaçadas. Daí ser urgente garantirmos a sustentabilidade dos ciclos de vida. Em primeiríssimo lugar vem aqueles seres invisíveis, pois são os mais decisivos para a perpetuidade da vida: os micro-organismos, escondidos nos solos, nos mangues e nas vegetações. Os insetos, especialmente as abelhas e os morcegos, são fundamentais para a polinização das plantas. O biólogo Edward Wilson diz que “se os insetos desaparecessem, o meio ambiente terrestre logo iria entrar em colapso e mergulhar no caos.
Vigora uma percepção generalizada de que assim como o estado da terra se encontra não pode continuar. Praticamente a maioria dos itens importantes para a vida (água, ar, solo, biodiversidade, energia, florestas) está em acelerado processo de degradação. Temos que mudar. Caso contrário, poderemos ser assolados por situações de grande dramaticidade a ponto de por em risco o futuro de nossa espécie e de danificar o equilíbrio do nosso planeta.
O pior que podemos fazer é não fazer nada e deixar que as coisas prolonguem seu curso perigoso. As transformações necessárias devem apontar para uma outra direção na relação para com a Terra e a natureza e para a invenção de modos de produção e consumo mais benignos.
Não dispomos de muito tempo para agir. Nem de muita sabedoria e vontade de articulação entre todos para enfrentar o risco comum.
Leonardo Boff, no livro Saber Cuidar, afirma que:
[…] há chance de salvamento. Mas para isso devemos percorrer um longo caminho de conversão de nossos hábitos cotidianos e políticos, privados e públicos, culturais e espirituais. A degradação de nossa casa comum, a Terra, denuncia nossa crise de adolescência. Importa que entremos na idade madura e mostremos sinais de sabedoria. Sem isso, não garantiremos um futuro promissor.
Que cada um de nós faça uma análise de consciência sobre nossos atos, e repensemos os novos rumos que devemos tomar para ajudar na preservação do planeta e de nossa própria espécie.
Que Jesus nos ilumine e nos inspire através dos seus anjos e santos, a tomar o caminho certo.

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