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Sede Perfeitos (texto)

Propusemos a reflexão sobre este tema, baseada em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, itens 1, 2 e 3.

O que se entende por perfeição?

Perfeição vem do latim perfectio e designa o estado de um ser cujas virtudes se encontram plenamente realizadas.

Inicialmente, analiso o referido item 1, no qual Jesus destaca as características da perfeição, dizendo-nos:

Amai aos vossos inimigos; fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e vos caluniam; pois se amais apenas àqueles que vos amam, que recompensa tereis? Sede pois, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito.” Matheus, 5: 44, 46 e 48.

Deus possui a perfeição absoluta e infinita em todas as coisas, mas isto não significa que os homens possam tornar-se tão perfeitos como Ele.

A razão nos esclarece que isso seria impossível e o Evangelho explica:

Se fosse dado a criatura ser tão perfeita quanto o Criador, ela O igualaria, o que é inadmissível. E os homens aos quais Jesus se dirigia não tinham condições de compreender essas questões; Por isso, ele se limitou a apresentar-lhes um modelo e dizer que se esforçassem para atingi-lo.

A luta do Espírito deve ser direcionada para a perfeição relativa a ser conquistada, buscando virtudes cada vez mais nobres, que constituem graus de desenvolvimento moral e espiritual.

Analisando melhor, é preciso entender que a perfeição relativa que a humanidade é capaz de compreender consiste não somente em amar os que nos amam e fazer o bem aos que nos fazem o bem. É muito mais do que isso.

Quando Jesus diz: “Amai aos vossos inimigos; fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e caluniam”, esclarece-nos que a essência da perfeição é a caridade (que é o amor em ação), em seu mais amplo significado, porque ela define a prática de todas as outras virtudes.

O capítulo 13, item 9, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, para complementar, refere-se sobre a Caridade Material e a Caridade Moral, explicando que a Caridade Moral, quando bem entendida, pode ser praticada por qualquer um, porque não custa nada de material; porém, é a mais difícil de ser exercida.

Ela consiste na tolerância de uns para com os outros, em saber calar, saber ouvir, saber falar e pode ser realizada de muitas maneiras, por exemplo, em pensamentos (orando pelos irmãos necessitados), em palavras (dando bons conselhos) e em ações.

Devemos entender, ainda, que podemos sempre nos aperfeiçoar, lembrando que Deus nos criou simples e ignorantes, porém, potencialmente perfeitos. E que todos temos o livre arbítrio, com a responsabilidade pelas nossas ações realizadas. Sendo assim, em cada encarnação vamos desenvolvendo a perfeição que existe em nós.

Deste modo, o Espírito tem que desenvolver sua inteligência e evoluir moralmente. É a inteligência que lhe dá a capacidade de descobrir, de raciocinar, de conhecer, de aprender e de criar. Porém, o aprimoramento dos valores morais é importantíssimo e um dos maiores objetivos a ser alcançado pelo homem. Neste contexto, as sábias palavras do Apostolo Paulo (Coríntios 6:12): “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.

Allan Kardec destaca, já no item 2 (cap. XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo), que a consequência de todos os vícios e até mesmo dos pequenos defeitos alteram, de alguma forma, o sentimento de caridade, porque todos eles estão ligados ao egoísmo e ao orgulho, que são sua negação. Tudo o que exalta o personalismo, colocando a pessoa em primeiro lugar e acima dos outros, altera os princípios da verdadeira caridade, que são:

– A benevolência (boa vontade);

– A indulgência (que é a disposição para perdoar, para não julgar);

– A abnegação (renúncia e sacrifício, em favor de alguém);

– O devotamento (dedicação).

Muitos pensam ou falam: – não vou conseguir amar meu inimigo, nem mesmo perdoá-lo.

Emmanuel, no livro Palavras de Vida Eterna, psicografia de Francisco Cândido Xavier, cap. 16, nos esclarece como interpretar melhor o ensinamento de Jesus quando nos disse “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” Assim ressalta, com propriedade: “Isso não quer dizer que devamos ajoelhar em pranto e penitência ao pé de nossos adversários, mas sim que nos compete viver de tal modo que eles se sintam auxiliados por nossa atitude e por nosso exemplo, renovando-se para o bem.”

Dessa maneira, quando Emmanuel nos aconselha a viver de tal modo que nossos desafetos se sintam auxiliados, por nossa atitude e nosso exemplo, ele está nos convidando a parar e refletir profundamente sobre nossas responsabilidades para conosco e para com o próximo, com o objetivo de, em seguida, definirmos nossas ações.

Indago aos queridos leitores, qual o melhor caminho a seguir?

1º) Buscar o maior exemplo de perfeição moral que Deus nos enviou: Jesus. Guia e modelo para todos nós, conforme nos ensina a questão 625 de O Livro dos Espíritos.

2º) Evangelizar-nos, tentando praticar as características do “Homem de Bem”, que é o título do item 3 do cap. XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, escrito pelo próprio Allan Kardec, através do qual ele nos mostra a sua grande sintonia com Jesus e descreve inúmeras características morais que o homem de bem deve ter e, sem dúvida, uma das páginas mais belas do segundo livro da Codificação do Espiritismo.

Assim ele inicia o seu primoroso texto: “O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se questiona sua consciência sobre seus próprios atos, perguntará se não violou essa lei, se não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se negligenciou voluntariamente alguma ocasião para ser útil, se ninguém tem queixa dele, enfim, se fez aos outros tudo o que gostaria que lhe fizessem.”

Traz, ainda, inúmeras características do homem virtuoso, do homem evangelizado, do homem de bem:

– É aquele que tem fé em Deus, tem fé no futuro, por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais;

– Sabe que todas as dores são provas ou expiações e não lamenta por isso;

– Tem o sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem;

– Respeita nos outros todas as convicções sinceras;

– Em todos os momentos a caridade é o seu guia;

– Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas;

– Estuda suas próprias imperfeições e trabalha sem cessar para combatê-las.

Geralmente, quando iniciamos o estudo e as reflexões sobre o verdadeiro homem de bem, muitas vezes, sem perceber, já ficamos incomodados, questionando sobre o nosso comportamento e isto é muito bom, porque passamos a refletir melhor, concluindo que, muitas vezes, queremos ser um homem de bem, entretanto, sem melhorarmo-nos.

Após esta autoanálise, o caminho é buscar o autoconhecimento e por último o auto-aperfeiçoamento.

A esse respeito, a questão 919 de O Livro dos Espíritos reporta:

– Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida?

R: um sábio de antigamente vos disse: ‘Conhece-te a ti mesmo.’”

Mas a dificuldade está justamente em conhecermos a nós mesmos. E qual é o meio de se conseguir isso?

Quem responde é Santo Agostinho, na questão 919a de O Livro dos Espíritos:

– Fazei o que eu fazia quando estava na Terra; no fim do dia, interrogava minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava se não havia faltado com o dever, se ninguém tinha do que se queixar de mim. Foi assim que consegui me conhecer e ver o que havia reformado em mim.”

O livro Jesus e o Evangelho, de Divaldo Franco/Joana de Ângelis, falando sobre a perfeição, traz-nos ensinamentos bem práticos e atuais sobre o tema em análise, que aqui transcrevo:

O homem e a mulher contemporâneos sofrem de bloqueios profundos no inconsciente a respeito da necessidade da perfeição, encontram-se mais preocupados com a conquista de recursos que lhes darão comodidade hoje e repouso na velhice, descuidando-se do essencial, que é o esforço na busca dos valores espirituais, como terapia e solução para seus conflitos diários.”

Sendo assim, para alcançarmos resultados efetivos, não podemos nunca estar desconectados do amor, que proporciona a transformação das qualidades morais inferiores em sentimentos elevados; ou seja, do egoísmo e orgulho à conquista de inúmeras virtudes, criando campo para o perdão.

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Marly Arruda Camargo. Espírita, palestrante do Grupo de Edificação Espírita (GEE), membro ocupante da cadeira nº 16 da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás (ACELEG) e médica pediatra. E-mail: y.arruda@terra.com.br

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