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A Desencarnação de Jesus

A Desencarnação de Jesus

Era já quase a hora sexta quando houve treva sobre toda a terra até à hora nona, tendo desaparecido o sol.

Quase a hora nona, Jesus bradou em alta voz, dizendo: “Eli, Eli, lemá sabachtáni?”, isto é: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”

Alguns dos que ali estavam, ao ouvirem isso, disseram: “Eis que ele chama por Elias.”

Depois, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para que se cumprisse a Escritura, disse: “Tenho sede!”

Havia ali um vaso cheio de vinagre. Imediatamente, correu um deles a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre e, fixando-a numa cana de hissopo e levando-a à sua boca, dava-lhe de beber.

Mas os outros diziam: “Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo!”

E o outro dava-lhe de beber, dizendo: “Deixai! Vejamos se Elias virá descê-lo!”

Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: “Está consumado!”

Depois, tornando a dar um grande grito, Jesus entregou o espírito, dizendo: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.

Dizendo isso, inclinou a cabeça, entregou o espírito e expirou.

Eis que o véu do Santuário se rasgou de alto a baixo em duas partes, a terra tremeu e as pedras se fenderam. Abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos que tinham adormecido ressuscitavam. E, saindo das sepulturas depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade Santa e apareceram a muitos.

O centurião, que estava defronte dele, e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, tudo o que acontecia e que havia expirado desse modo, glorificavam a Deus, dizendo: “Na verdade, este homem era justo! Este homem era verdadeiramente o Filho de Deus!”

Toda multidão dos que assistiam a este espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltaram batendo no peito. (Evangelhos de: Mateus, cap.27, w. 45 e 54 – Marcos, cap. 15, v. 33 a 39 – Lucas, cap. 23, v. 44 a 48 – João, cap. 19, W.28 a 30).

Durante a crucificação de Jesus, o tempo escureceu, era aproximadamente do meio dia (hora sexta) até as três da tarde (hora nona). A causa dessa mudança repentina do tempo deve ter sido em consequência da resposta da Natureza diante da crucificação daquele que tinha poderes de aplacar tempestades e de interferir nos fenômenos naturais. Afinal, a ausência do calor escaldante facilitaria o processo da desencarnação de um Espírito puro portador de grande energia espiritual e de intensidade atômica. Evidente que muitos Espíritos superiores e puros atuaram nesse processo ao preparar o tempo e o espaço para o desenlace definitivo do Cristo de Deus.

Ademais, aquela região não suportaria plenamente a histerese eletromagnética das vibrações poderosas do Cristo sob a ação da força contraeletromotriz do Planeta que se oporia à descarga energética proveniente da saída do Espírito da envergadura de Jesus das hostes planetárias. Esse fenômeno físico é também explicado por meio do estudo da ausência de casamento de impedâncias elétricas. As cargas elétricas do planeta fizeram oposição à passagem das correntes energéticas submetidas à tensão do desenlace de Jesus, o que gerou terremotos, pedras se fenderam e se abriram sepulturas, algumas semelhantes a que abrigaria temporariamente o corpo de Jesus. Ē igualmente possível que esse fenômeno tenha gerado fortes tempestades naquele dia em Jerusalém. Contudo, a Física terrena não pode tudo explicar diante do que ocorreu.

O fato é que houve necessidade de muitos cuidados para que a poderosíssima energia do Cristo não desestabilizasse o eixo gravitacional da Terra ou causasse danos maiores, difíceis de se prever, como a destruição do planeta. É possível que a luminosidade e a força energética do Cristo sejam bem maiores do que a luminosidade e a energia de uma estrela de primeira grandeza.

Além dos fenômenos físicos corpóreos, também existiram fenômenos físicos espirituais. Muitos da pléiade de espíritos que participaram do desenlace do Cristo se fizeram visíveis, fenômeno interpretado como “ressurreições dos santos”. Também o véu ou cortina de linho do Santuário, que separava o lugar mais sagrado do Templo de Jerusalém (o santo dos santos) do átrio onde os sacerdotes atuavam “se rasgou de alto a baixo em duas partes” para demonstrar que não deveria haver separação entre o homem e Deus ou lugares ilusoriamente destinados a manter o próprio Deus. Nesse lugar considerado sagrado, somente uma vez por ano o Sumo Sacerdote adentrava e acreditavase que ele tinha acesso a Deus.

Do mesmo modo que o nascimento de Jesus foi acompanhado de uma falange anjos, a sua desencarnação não poderia ser diferente. Duvidar disso é levar ao extremo uma racionalidade que se opõe aos muitos fenômenos narrados sob os eflúvios do Cristo.

Ao ser crucificado, o Mestre teve quatro preocupações: a) pedir perdão a Deus por seus acusadores e executores; b) consolar Dimas, o pecador arrependido; c) proteger e consolar a sua mãe Maria de Nazaré; d) fortalecer a fé de seus seguidores por meio da lembrança e do cumprimento das profecias.

A crucificação de Jesus foi mais um grande momento da confirmação de que ele era o Messias esperado. Além dos fenômenos físicos e espirituais que levaram o centurião, os soldados romanos e toda a multidão presente ao reconhecimento da divindade do acusado. Até mesmo na cruz o Mestre procurou confirmar a sua missão divina.

Ao pronunciar o versículo primeiro do Salmo 22: “Eli, Eli, lema sabachtáni”, ou seja, “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”, Jesus proferiu a sua quarta declaração na cruz. Observa-se que o Mestre lembra a todos a respeito do Salmo 22 de Davi que bem descreve o sofrimento do Messias. No entanto, alguns interpretaram equivocadamente que ele clamava pelo profeta Elias.

Para que se cumprisse a Escritura, Jesus também disse: “Tenho sede!” “. Sendo esta a sua quinta declaração na cruz Desse modo, Jesus cumpre o Salmo 69:21 que diz:

“”Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”.

O que igualmente lembra o Salmo 22:15:

“Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte”.

Verifica-se que Jesus na cruz lembra as duas referências proféticas de Davi em torno de sua missão sagrada.

Depois de tomar o vinagre, Jesus proferiu a sexta declaração na cruz: “Está consumado!” Desse modo, ele afirma que cumpriu todos os desígnios do Pai. Nada ficou pendente. Tudo fora realizado de acordo com o Programa Divino preconizado pelas Escrituras.

Antes de sair de seu corpo em definitivo, o Mestre proferiu a sétima declaração na cruz e a sua última oração ao Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Ao dizer isto em alta voz inclinou a cabeça, entregou o espírito e desencarnou.

Ao reconhecerem que Jesus era justo ou que era o Filho de Deus, todos retornaram aos seus lares. Alguns estavam arrependidos, outros, amedrontados e todos surpresos diante dos fenômenos ocorridos. Parece que o sol não mais retornou naquela sexta-feira. O dia de sábado chegava às 6 horas da tarde. Toda Jerusalém estava abalada diante dos fatos.

Até os dias atuais, parece que a Humanidade recorre a Jesus num misto de fé, de amor e de culpa por haver praticado tão horrendo crime. Ainda batemos no peito, não apenas porque sentirmos o Supremo Amor do Mestre, mas também porque ainda não estamos suficientemente arrependidos ante os erros do pretérito e nem dispostos a trabalhar em prol dos acertos do presente e da felicidade futura.

O Mestre retornaria, não em corpo de carne que ele desintegraria, mas num corpo composto de uma matéria sutil, porém, densa o suficiente para dissipar qualquer dúvida ante o seu poder e de que a morte não existe.

(Emídio Brasileiro é educador, jurista e cientista da Religião, autor de 20 livros, dentre os quais “O Direito Natural e a Justiça Quântica”,da UFG. E membro da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, da Academia de Letras de Goiânia e da Academia de Letras de Aparecida de Goiânia.)

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