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Maria de Nazaré diante da cruz

Maria de Nazaré diante da cruz

Estavam de longe, observando essas coisas, todos os conhecidos de Jesus e muitas mulheres que o seguiam desde a Galileia e subiram com ele a Jerusalém, para servi-lo.

E junto à cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e mãe de Tiago, o menor, e de José, Maria Madalena e Salomé, a mãe dos filhos de Zebedeu. Elas o seguiam e serviam enquanto esteve na Galileia.

Jesus, vendo sua mãe e ao lado dela o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí o teu fiIho!”

Depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua mãe!”

E desde essa hora o discípulo a recebeu em sua casa. (Evangelhos de: Mateus, cap. 27, v. 55 e 56 – Marcos, cap. 15, w.40 e 41 – Lucas, cap. 23, v. 49-João, cap. 19, w. 25 a 27).

Depois de Jesus, a sua mãe Maria de Nazaré foi quem mais sofreu com as injustiças perpetradas ao ser mais especial que pisou sobre o orbe terrestre.

A jovem Maria, que humildemente recebera do anjo Gabriel a notícia de que seria a mãe do Messias, não poderia imaginar a dor que sentiria aos pés daquela cruz no Calvário, em Jerusalém. Maria contava com um pouco mais de cinquenta anos de idade. A cruz do seu filho era também sua. A “Flor Mística de Nazaré” também fora crucificada naquela sexta-feira. A cruz moral de Maria igualmente causou indescritível dor ao seu sublime e amado filho.

Diante da cruz, é provável que a Mãe Santíssima tenha passado em revista alguns dos muitos episódios da vida de Jesus, por exemplos: a noite inesquecível de seu nascimento em Belém; o dia em que o jovem Jesus ensinou aos sacerdotes no Templo de Jerusalém, causando-lhes grande admiração; as curas operadas aos milhares de enfermos da Judeia e países vizinhos que o buscavam; o mais belo Código de Conduta que a Humanidade tem notícia conhecido como “O Sermão da Montanha”; a atenção comovente aos que buscavam nele o conforto espiritual e o alívio para as suas dores; as viagens consoladoras; os diversos sinais operados como a transformação da água em vinho em Caná para atender ao seu pedido; os inúmeros sinais em contato com os elementos da Natureza; as lágrimas de seu filho ante a ignorância do mundo; o combate à iniquidade e ao desamor e, recentemente, a dignidade e a compaixão diante dos acusadores que o levaram ao madeiro infamante.

Junto à cruz, ao lado de Maria de Nazaré, também estava a sua irmã Joana, esposa de Cuza, procurador de Herodes Antipas. Joana de Cuza era mãe de Salomé (esposa de Zebedeu), de Simão, de Maria e de Suzana, sendo primos do Mestre e denominados “irmãos de Jesus”. Joana acompanhou o ilustre sobrinho em muitas de suas peregrinações, ajudando também nas despesas das viagens. Mais tarde, Joana, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, o menor, e outras mulheres anunciariam aos apóstolos a respeito do túmulo vazio em que Jesus foi sepultado.

Naquela hora, ao pé da cruz, também estava Maria, esposa de Cléofas (irmão de José), e mãe de Tiago, o menor, de Judas Tadeu e de José, igualmente denominados “irmãos de Jesus”. Alguns consideram Maria de Cléofas irmã de Maria de Nazaré, o que não se encontra lógica duas irmãs com o mesmo nome num tempo em que o nome Maria não era acompanhado de outro nome proprio, formando nome composto, o que não era prática entre os judeus.

A quarta mulher mencionada no Evangelho que estava diante da cruz era Maria, denominada “Madalena”, nome decorrente de sua cidade natal Magdala, localizada na Galileia, na margem ocidental do lago de Genesaré ou de Tiberiades, também chamado “Mar da Galileia”. Maria Madalena foi quem primeiro viu o Mestre em sua primeira aparição depois que saiu do sepulcro. Diante da cruz, Maria Madalena era a única que não tinha grau de parentesco com o Mestre.

Ao lado de Maria de Nazaré, também se encontrava Salomé, prima de Jesus, esposa de Zebedeu e mãe de João, o Evangelista, e de Tiago, o maior.

Próximo à Mãe de Jesus, João, o Evangelista, foi o único apóstolo presente e também o único homem mencionado e que era sobrinho de Jesus. Segundo a tradição, o apóstolo João contava com cerca de vinte anos de idade.

Ao todo, apenas seis pessoas se encontravam junto à cruz para acompanhar as dores do Cristo. O número seis como símbolo da família segundo Pitágoras e que ali representava as pessoas mais próximas do Mestre.

Embora o número reduzido de pessoas junto à cruz, os Evangelistas narram que “estavam de longe, observando essas coisas, todos os conhecidos de Jesus e muitas mulheres que o seguiam desde a Galileia e subiram com ele a Jerusalém, para servi-lo”. É também provável que os demais apóstolos fizessem parte desse grande grupo de observadores e de seguidores como é plausível que Judas Tadeu, Tiago, o maior, e Tiago, o menor, apóstolos e parentes de Jesus também estivessem presentes àquele momento inenarrável.

Ao observar a dor de sua mãe, Jesus demonstrou seu zelo filial e por isso designou João, o Evangelista e discípulo bem amado, para cuidá-la em seu lugar. Pela terceira vez, do alto da cruz, falou carinhosamente: “Mulher, eis aí o teu filho!” e, ao se dirigir a João: “Eis aí a tua mãe”. A partir daquele momento João “a recebeu em sua casa”. Deduz-se que Jesus não faria essa recomendação se ele tivesse irmãos consanguíneos ou, ainda, se José estivesse encarnado.

Segundo a tradição, a partir daí, João manteve Maria ao seu lado e a levou para Efeso, onde depois de muitos anos veio a desencarnar naturalmente.

Carlos Torres Pastorino, em sua obra Sabedoria do Evangelho, v. 8, pg.155, afirma:

“A partir do século XII, apoiando-se em Orígenes (Comment. in Joannem, 1.4.23), a tradição passou a considerar válida a interpretação de Rupert de Deutz ou Rupertus (Comment. in Joannem, Patr. Lat. vol. 169, col. 790): João representou, ao pé da cruz, todas as criaturas humanas, que se tornaram, ipso facto, irmãs de Jesus”.

Mesmo diante de soldados inescrupulosos que apostavam em jogo as vestes de Jesus, Maria de Nazaré não teve medo de se aproximar da cruz e de levar os mais próximos de sua convivência, compondo o grupo especial que sentiu de perto as energias misericordiosas do divino Rabi.

São alguns dos aspectos que corroboram com a merecida veneracão a Maria de Nazaré: a coragem e a humildade da jovem de Nazaré diante das revelações do poderoso anjo Gabriel; a gravidez incompreendida pela razão humana, como se fosse impossível a materialização de uma célula espermática no recipiente materno; a força de sua presença para colaborar com Jesus em seu trabalho messiânico; a sua influência fundamental para o colégio apostolar estabelecer os trabalhos de socorro e de assistência aos enfermos e necessitados depois da partida de seu amado Filho.

Que a Mãe Santíssima interceda por nós, ainda presos à ignorância, aos instintos e à escravizante vaidade de um nefasto pseudossaber.

Diante da Cruz do amado e divino Messias, as palavras do anjo Gabriel também fortaleceram o coração da divina Mãe e ainda ecoam pelas eternidades majestosas, percorre espaços infinitos e nos sustenta das manjedouras aos calvários:

“Alegra-te, ó cheia de graça! O Senhor está contigo. Bendita és tu entre as mulheres” (Lucas, 1:28).

(Emídio Brasileiro é educador, jurista e cientista da Religião, autor de 20 livros, dentre os quais Inteligência Emocionais, da Boa Nova. É membro da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, da Academia de Letras de Goiânia e da Academia de Letras de Aparecida de Goiânia.)

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