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Em nome de Jesus, em defesa da doutrina espírita

(Marcelo Arruda Camargo, membro do Grupo de Edificação Espírita/GEE, espírita, escritor e palestrante)

 

 

 

Em nome de Jesus, em defesa da doutrina espírita

Prezados (as) leitores (as), diante dos tristes e graves acontecimentos recentes ocorridos em nosso estado de Goiás, vinculados à cidade de Abadiânia, com grande repercussão na mídia nacional e internacional, decidimos registrar alguns pontos objetivos sobre a Doutrina Espírita, a mediunidade e sua prática, bem como o funcionamento de um centro espírita bem-orientado, dentro dos preceitos espíritas, visando a uma melhor compreensão do tema para comunidade não espírita, muitas vezes carente de informação.

Necessário entendermos que Espiritismo foi um termo criado por Allan Kardec, quando da codificação da Doutrina Espírita a partir do ano de 1855, depois de um trabalho muito criterioso, através do raciocínio e da experimentação séria, e firmada essencialmente no crivo da razão, no seu tríplice aspecto de ciência, filosofia e religião, veio para explicar os fatos que sempre existiram, desde o princípio da humanidade terrena, como: mediunidade, que independe de credo religioso, a comunicação com o mundo espiritual, a sobrevivência do espírito, etc.

As obras básicas, que sintetizam o Espiritismo, editadas pelo Codificador, sempre com o auxílio dos Espíritos Superiores, conhecidas também como Pentateuco Kardequiano seguido de seus anos de publicação são: O Livro dos Espíritos (1857); O Livro dos Médiuns (1861); O Evangelho segundo o Espiritismo (1864); O Céu e o Inferno (1865); A Gênese (1868).

E, de acordo com a classificação de alguns estudiosos, os princípios básicos da Doutrina Espírita podem ser divididos em seis, quais sejam: 1) Deus; 2) a existência e a sobrevivência do espírito; 3) a evolução dos Espíritos; 4) a reencarnação (possibilidade de o Espírito retornarà vida material, por meio de um novo corpo humano, para continuar o processo de evolução); 5) a pluralidade dos mundos habitados; e 6) a mediunidade.

Um dos pontos básicos do médium espírita é o estudo da doutrina espírita, para maior compreensão, sintonia com Jesus e os benfeitores espirituais, para melhor servir à causa do Cristo.

A nobre benfeitora encarnada, Sra. Mércia Aguiar, incansável trabalhadora, seguindo sempre as pegadas de Jesus, há mais de sessenta anos, na senda do bem e nas atividades espíritas, em seu livro Fé, Esperança e Alegria, ensina-nos:

“Estranha religião, o espiritismo, dirão alguns que estejam habituados às cerimônias pomposas. O espiritismo é uma doutrina pura, virgem de fanatismo, filosofia que não se apoia em mitos, religião que torna verdadeiramente feliz o ser humano, ao provar com fatos e de maneira categórica e insofismável, a imortalidade da alma. Proporciona uma fé lúcida e indestrutível, que dá forças para suportar com dignidade todas as atribulações da existência planetária, impelindo o ser humano a trilhar o caminho do dever e da bondade, consoante o que ensina a sublime e gloriosa doutrina cristã.”

Especificamente em relação à mediunidade, Divaldo Franco, em sua obra Divaldo Franco Responde – Volume 1, esclarece-nos que:

“Ser médium é possuir uma faculdade que permite o intercâmbio com os Espíritos. Essa faculdade é muito conhecida na história da humanidade desde épocas mui recuadas, nas quais recebeu diferentes denominações, desde profetismo até as referências como paranormalidade, mediunidade. É inerente a todas as criaturas humanas, radicando-se no organismo, conforme elucidação do Codificador do Espiritismo”.

Sendo assim, Divaldo confirma o entendimento de que todo ser humano, independentemente de sua religião, costumes, de crer, ou não na Doutrina Espírita e em seus princípios, possui um grau de mediunidade, que se manifesta, cotidianamente, por exemplo, pelos encontros e diálogos, através dos “sonhos”, que temos com pessoas que já se encontram no plano espiritual, ou por inspirações/premonições sobre fatos que nem passavam pela nossa mente quando elas surgiram.

Já nos médiuns mais ostensivos, ela se manifesta pelas mais variadas formas, de acordo com a sensibilidade de cada médium, ou seja, pela vidência ou audição de seres desencarnados pela psicografia (que é a capacidade de o medianeiro RECEBER mensagens, cujo modelo maior podemos citar o venerável Chico Xavier, que psicografou mais de 450 livros com ensinamentos sublimes, além das incontáveis cartas consoladoras de Espíritos, para seus entes queridos, os quais continuaram aqui na Terra); pela psicofonia (fenômeno mediúnico que o Espírito desencarnado se comunica pela voz do médium); psicopictografia (pintura mediúnica); pela mediunidade de cura (a este respeito, Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, 2a parte, cap. XVI, item 189, registra: “Médiuns curadores – Os que têm o poder de curar ou de aliviar os males pela imposição das mãos ou pela prece. Esta faculdade não é essencialmente mediúnica pois todos os verdadeiros crentes a possuem, quer sejam médiuns atuantes ou não. Frequentemente, não é mais do que a exaltação da potência magnética, fortalecida em caso de necessidade pelo concurso dos Espíritos bons”), entre outros tipos.

Exposto isso, vamos a um ponto mais complexo, porém, essencial para que os objetivos nobres de Deus, de Jesus e dos benfeitores espirituais sejam alcançados, qual seja, a responsabilidade e a conduta proba, direita, e honesta do médium, para, com isso, conseguir sintonizar-se com os Espíritos elevados e terem êxito, em conjunto, nas tarefas que se propõem a executar.

A esse respeito, a Sra. Mércia Aguiar, que também é uma médium exemplar, atuante na seara de Jesus, em sua obra já citada, com propriedade, dá-nos uma aula completa de como exercer o mandato mediúnico, em benefício de nossos irmãos, momentaneamente mais necessitados do que nós:

“Médiuns cristãos, não passem distraídos diante da dor do seu próximo, procure sempre encontrar nos semblantes que o sofrimento descobriu, e nas vozes fatigadas, o amado Jesus, nosso mestre crucificado”. Nas multidões de aflitos e infortunados procure encontrar a familia universal. Quantos deles acalentaram esperancas e sonhos iguais aos seus, contudo, sem oportunidade de realização.

[…] Medite nesta grande verdade: as mãos hoje libertas por você dos grilhões da miséria, podem ser aquelas que amanhã chegarão livres e luminosas em seu auxílio. Lembre-se de que, em cada coração desventurado, Jesus te espera em silêncio, em cada curva do caminho está a te esperar.

[…) Avante Médium! O Cristo te entregou o lume da mediunidade, e carece que este lume não se extinga pela falta de uso. Saia a clarear os caminhos e acolher no coração a humanidade sofredora. A responsabilidade é grande no campo mediúnico e doutrinário. Agradeça a Deus a oportunidade de estar colocado na posição de dar, de oferecer o pão espiritual.

Pois pode acontecer que passe ao papel de necessitado, por ter cometido o erro de não distribuir o tesouro fabuloso dos ensinamentos que te foram outorgados pela sabedoria Divina, para que sua palavra e ação cobrissem a humanidade necessitada.

Que não fique para amanhã o que você deve fazer hoje. Pois pode acontecer ainda esta noite, você ser chamado de volta à vida maior, e lamentavelmente chegar ao ajuste Divino sem ter multiplicado o tesouro a você ofertado. Médiuns cristãos:

Que possas com amor exterminar o ódio.

Onde a força clamar, seja a mansuetude vitoriosa.

Na dúvida, leve a fé.

No desespero, faça que surja a esperança.

Na tristeza, faça brotar a alegria. Nas trevas, acenda a luz.

Nas calúnias, faça imperar a verdade.

E acrescento uma reflexão: quem é médium o é 24h (vinte e quatro horas) por dia. Então, estudemos continuamente a literatura espírita edificante, e fiquemos atentos à vigilância e à oração, para realizarmos o auto aperfeiçoamento e nunca, jamais, deixemos de seguir esses ensinamentos sublimes, ora transcritos, não só para o auxílio dos necessitados, mas, em especial, para o nosso próprio bem, pois, com absoluta certeza, somos os maiores beneficiados.

Sobre isso, veja-se a lição trazida em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 17, item 04: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua TRANSFORMAÇÃO MORAL e pelos esforços que faz para dominar suas más tendências”. Para isso, “O Homem não deve procurar elevar-se acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se”, como nos ensina o mencionado livro, em seu capítulo 03, item 10.

Cabe, neste instante, um questionamento: onde essas atividades mediúnicas devem ser realizadas?

Toda a assistência espiritual se dá nas dependências do centro espírita, em atendimentos coletivos e, quando necessário ser feito em reserva, nunca o é a portas trancadas, tendo em vista o centro espírita ser o local previamente preparado, pela equipe espiritual, para dar o apoio a todas as necessidades dos frequentadores, seja por meio da recepção fraterna, do estudo do Espiritismo, do passe magnético, dos tratamentos de desobsessão, da água fluidificada, etc. Tudo, frise-se, com simplicidade, disciplina, sem misticismos, imagens ou qualquer ritual específico e, o principal, sem cobranças de qualquer ordem. Outro aspecto relevante é que o paciente com problemas físicos nunca deve abandonar o tratamento médico, pois esse, em conjunto com o espiritual, produz ótimos resultados

Outro ponto importante a ser comentado é que, de acordo com a Doutrina dos Espíritos, não existem milagres, pelo simples fato de não haver fatos sobrenaturais e sem a possibilidade de serem explicados, pois a Justiça Divina nos auxilia por igual e segundo nossos méritos. Jesus, quando esteve encarnado em nosso planeta, realizou fenômenos mediúnicos, em benefício da humanidade, e isso é importante ser salientado, para aqueles que, em um momento difícil, de doença física ou mental própria, ou de um ente querido, tenham a cautela necessária, para não serem levados a acreditar em acontecimentos contrários às Leis Naturais (Leis de Deus).

A manutenção material do templo, que envolve muitas vezes altos custos financeiros, inclusive com funcionários e materiais necessários, ao bom funcionamento do centro, vale ressaltar, são assumidos pelos médiuns do centro e/ou alguns frequentadores sensíveis á causa do bem, que espontaneamente, dispõe-se a dar sua contribuição, haja vista que o espírita não tem a religião como profissão, trabalha durante o dia profissionalmente para cumprir os seus compromissos financeiros e sociais, e à noite vai ao centro espírita harmonizar-se com as energias divinas.

Quando bem-orientado, o centro espírita é um avançado pronto-socorro, onde o espírito enfermo, seja encamado ou desencarnado, recebe ajuda, através da assistência às chamadas doenças da alma. Em caso contrário, quando os indivíduos se desviam dos princípios cristãos, muitas vezes se autointitulando como médiuns, apóstolos, ministros, missionários, com a intenção de amealhar bens materiais, ou de satisfazer seus instintos primitivos, a exemplo da vaidade, orgulho, prepotência, arrogância, etc., os benfeitores espirituais deles se afastam, por respeitar o seu livre-arbítrio, e outras entidades das sombras se aproximam, transformando aquele médium em um joguete.

Um grupo espírita que busca fazer o bem deve pautar-se no amor, na caridade (pois fora da caridade não há salvação, sábia afirmativa de Kardec), no auxílio anônimo e desinteressado, objetivando a evolução de todos, em conjunto, uns de mãos dadas com os outros, sem egoísmo e num elo de amor, de modo algum em busca de reconhecimento ou recompensas.

O primordial é a nossa intenção e disposição para trabalhar em nome do Cristo, procurando fazer o bem, pois a lei de causa e efeito (continuidade da responsabilidade do Espírito, pelos atos por ele praticados, durante sua existência eterna) é infalível e nossa consciência nos devolverá tudo o que tivermos feito de bom, ou de ruim aos nossos irmãos de caminhada evolutiva. E, como diz o conhecido ditado: “O plantio é opcional, porém, a colheita obrigatória” – simples e justo assim.

No Grupo de Edificação Espírita, local que frequento, desde 1987, localizado na região noroeste de nossa capital, temos como referência os ensinamentos do Cristo e no final das reuniões públicas, no momento de aplicarmos o passe magnético, nos frequentadores presentes, o coordenador responsável sempre diz: “Em nome de Jesus”, para que possamos sintonizar com Ele, nosso modelo e guia, além de sinalizar o momento em que os médiuns devem erguer as mãos para doação dos fluidos.

Escrevi este singelo texto, também em nome de Jesus, e em respeito profundo ao Espiritismo, para mim, uma doutrina abençoada de amor, com a qual aprendo muito, a cada dia.

Com grande respeito, conclamamos a todos os filhos de Deus, em especial, aos médiuns, a não nos desviarmos dos ensinamentos do Mestre, tendo como norte a frase: “Dai de graça o que de graça recebeste”. Palavras de Jesus, (cf. Mateus 10:8).

Muita paz a todos!

(Marcelo Arruda Camargo, membro do Grupo de Edificação Espírita/GEE,

espírita, escritor e palestrante)

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