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Jesus perante Pilatos: a Flagelação

(Emídio Silva Falcão Brasileiro. Cientista da Religião, educador, jurista, palestrante e escritor de 20 livros. Autor da obra Sabedoria, da AB Editora. Membro da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, da Academia de Letras de Goiânia e da Academia de Letras de Aparecida de Goiânia.)

 

 

Jesus perante Pilatos: a Flagelação

Pilatos, então, tomou Jesus e o mandou flagelar. Os soldados do governador, levando Jesus para dentro do átrio, isto é, para o Pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. E, despindo-o, jogaram sobre ele um manto de púrpura. Depois, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na sobre a cabeça dele e um canico na mão direita. E, ajoelhando-se diante dele, adoravam e o escarneciam, dizendo: “Salve, rei dos judeus!”

E davam-lhe bofetadas, cuspiam nele e, tomando o caniço, batiam-lhe na cabeça. (Evangelhos de: Mateus, cap. 27, w. 27 a 30 – Marcos, cap. 15, w. 16 a 19-João, cap. 19, w.la3).

Ao mandar flagelar Jesus, o que ocorreu com zombarias e crueldade, Pilatos pensou equivocadamente que tal punição o livraria da pressão para condenar o Messias ao martírio da cruz.

A lei mosaica determinava que a flagelação tivesse no máximo quarenta chicotadas nas costas nuas do condenado e o Talmud ordenava trinta e nova por segurança devido alguma falha na contagem. A lei romana não estabelecia limite de chicotadas, mas recomendava que o acusado, depois da flagelação, ainda tivesse forças suficientes para ser crucificado.

Jesus sofreu silenciosamente toda sorte de violência durante a flagelação e ultrajes. O Rabi foi ridicularizado, humilhado e torturado violentamente pelos soldados sob o pretexto de cumprir às ordens do Procurador romano pela acusação de ser considerado rei dos judeus.

Um manto vermelho, que era usado pelos soldados, foi o vestuário que deram a Jesus depois de despi-lo sob impropérios. O manto vermelho simbolizava autoridade; era a vestimenta usada pelo imperador romano, sacerdotes e autoridades de destaque.

Depois disso, os soldados torturadores fizeram uma coroa de espinhos que foi cravada sobre a cabeça de Jesus. Não se sabe de que planta era essa coroa de espinhos, mas alguns botânicos acreditam que era da Acácia, planta que simbolizava a imortalidade, e outros botânicos supõem que era da planta Espinheiro-de-Cristo Sírio (Rhamnus spinachristi), ou ainda, Ziziphus spina-christi.

O médico brasileiro Dr. José Humberto Cardoso Resende, em sua obra ‘Feridas de Jesus’, (Edição do Autor), ao examinar as chagas do Mestre pelo Sudário de Turim ou Santo Sudário, constatou: “Mais de setenta espinhos atingiram a cabeça de Jesus (…) Um chumaço de espinhos da planta Ziziphus Spina (ou Ziziphus spina-christi) foi colocado sobre a cabeça de Jesus e assentado com um pedaço de madeira” (p. 24).

O Dr. José Humberto Resende ainda revela a quantidade de lesões sofridas por Jesus durante a execução implacável:

“Em computador, podemos contar algumas lesões mais nítidas que somam ao flagelo: ombros e espádua -54; cintura e rins – 29; abdome – 6; tórax – 14; perna direita (dorsal) – 18; perna esquerda (dorsal) -22; perna direita (frontal) – 19; perna esquerda (frontal)-11; braço direito (ambas as faces) – 20; braço esquerdo (ambas as faces) – 14; orelhas -2; testículos – 2; glúteo – 14. Devemos acrescentar a essas lesões as escoriações e as estrias provocadas pelas correias do chicote. As bolas de metal deixaram marcas nítidas. Como Jesus resistiu, ainda é fato de exclamação por todos os cientistas” (p.16).

Quanto ao chicote, instrumento de flagelação, o Dr. José Humberto descreve:

“O chicote era um látego curto, cabo de metal, enrolado por couro, com aproximadamente 30 cm de comprimento. Da ponta saíam três correias com quase 40 cm cada uma, e duas bolas de chumbo em cada ponta. Havia outros chicotes onde o chumbo era trocado por astragalos (ossos) de carneiro. Jesus foi amarrado a uma coluna (marco) que se achava próximo a uma fonte onde, normalmente, se amarravam as rédeas dos cavalos. Pelos pulsos atados a uma coluna, e já despido, os malfeitores tomaram suas posições” (p. 14).

Assim o Dr. José Humberto descreve a flagelação:

“Os golpes foram tantos que só pararam quando Jesus desmaiou. Os últimos açoites foram desferidos nas coxas, nádegas, ventre, braços e tórax. Tantos golpes encontramos no corpo de Jesus, que fica difícil, no Sudário, acharmos 1 cm sem ferida. Na cintura de Cristo, o couro penetrou tantas vezes no mesmo lugar, que parece um sinal marcado com lâmina cortante. O volume de sangue perdido foi calculado em um terço do volume corporal, quase dois litros de sangue. Jesus entrou em hipovolemia (anemia). Jogaram baldes d’água sobre Jesus, para que ele acordasse. Sentaram-no sobre uma pedra e fizeram chacota dele. (…) Mais de cem flageladas, aproximadamente, deformaram o seu corpo, banhado de sangue (…) Tanta hemorragia e Jesus sem falar nem gritar.” (pp. 15-16).

O Sudário de Turim é o autêntico Evangelho das Feridas de Jesus. Nenhum impostor seria capaz de reproduzir sobre um pano tantos detalhes ali encontrados, estudados e reconhecidos por muitos cientistas sérios, criteriosos e de reputação ilibada, que ainda consideram a tridimensionalidade a prova científica mais impressionante que demonstra mostra a veracidade do Sudário.

Como se não bastasse o ato da flagelação, os soldados fizeram Jesus segurar com a mão direita um caniço para simbolizar um cetro real. “E ajoelhando-se diante dele, adoravam e o escarneciam, dizendo: “Salve, rei dos judeus!”. Com o caniço bateram na cabeça do Mestre e agrediam-lhe com bofetadas e cusparadas.

O Mestre sofreu agressões físicas e morais na casa de Caifás, no Sinédrio, diante de Herodes, no Pretório de Pilatos, a caminho do Gólgota e quando crucificado. Em todos os momentos manteve a pureza no proceder, a santidade no calar e a sabedoria no falar. Ainda humilhado e ameaçado nos ensinou a lição imortal de obediência suprema aos desígnios do Pai. O mestre Jesus exemplificou a maior das resignações por intermédio do amor e da compaixão por seus inimigos porque, enlouquecidos pelo ódio, não sabiam sobre todas as consequências de seus atos.

(Emídio Silva Falcão Brasileiro. Cientista da Religião, educador, jurista, palestrante e escritor de 20 livros. Autor da obra Sabedoria, da AB Editora. Membro da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, da Academia de Letras de Goiânia e da Academia de Letras de Aparecida de Goiânia.)

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