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Senhor, o que queres que eu faça?

“Outra luz lhe banha os olhos deslumbrados, e no caminho que a atmosfera rasgada lhe desvenda, vê surgir a figura de um homem de majestática beleza, dando-lhe a impressão de que descia do céu ao seu encontro. Sua túnica era feita de pontos luminosos, os cabelos tocavam os ombros, à nazarena, os olhos magnéticos, emanados de simpatia e de amor, iluminando a fisionomia grave e terna, onde pairava uma divina tristeza. (…)

– Saulo…! Saulo…! Por que me persegues? (…)

– Quem sois vós, Senhor? (…) – Eu Sou Jesus!… (…)

– Senhor, o que queres que eu faça?” (Xavier, F.C. Paulo e Estevão).

E no seu júbilo diante de tamanho sobressalto, Paulo de Tarso, como ovelha perdida do Mestre, antes perseguidor dos Cristãos, entregou-se em renúncia e amor ao convite do Rabi da Galileia. Por efeito desse encontro fez-se exemplo abnegado ao dedicar-se em todos os instantes da sua transformadora existência ao nobre trabalho da propagação dos ensinamentos de Jesus.

Devoção similar àquelas vivenciadas pelos apóstolos ao atenderem aos chamados de Cristo para seguirem Seus passos. Veemência amorosa refletida nas palavras de Levi quem “sem que pudesse definir as santas emoções que lhe dominaram a alma, atendeu comovido: Senhor, estou pronto!…” (Xavier, F.C. Boa Nova).

A maioria de nós, espíritos em evolução nesse interim de tantos desalinhos que se passa a humanidade, Jesus não se apresenta do mesmo feitio que fizera com seus discípulos quando encarnado na Terra. A semente da Boa Nova já fora plantada na nossa história, sendo desse modo oportuno sentir a força do amor irradiada de Cristo em inúmeras outras conjunturas. Dispomo-nos na advertência máxima da Doutrina Espírita, fora da caridade não há salvação, o roteiro seguro de reencontro com o Mestre. A cada alma que prestarmos auxílio, a cada irmão que dedicarmos o nosso tempo com nobres diálogos da fé e da coragem, a cada prece em proveito aos espíritos sofredores, estaremos continuamente perante a Jesus.

O cenário no qual se encontra o nosso Planeta roga além do confim das nossas aspirações que despertemos ao encontro de Cristo que nos estende as mãos com os olhos serenos e seguros dizendo: Venha! Convite para que sejamos os trabalhadores da última hora, soldados de Jesus, que auxiliará o globo submetido às leis do progresso nas suas transformações

São chegados os tempos que imperam as grandes transformações do nosso orbe, no qual, intensos acontecimentos se darão para a regeneração da humanidade. Em toda parte, serão reclamados amparos sinceros aos irmãos carecendo de nós, conscientes das leis do amor, a coragem da fé para que caminhemos sob as águas das provações e da caridade, confiantes de que Jesus sempre estará conosco. O preço desse Amor e dessa Verdade para os discípulos de Cristo foi o martírio e a morte, contudo o mesmo não tem sucedido para nós além da constância do trabalho árduo do filho pródigo que retorna ao lar pronto para beber do cálice de fel de Jesus, filho esse que finalmente desperta conhecedor dos esforços indigentes que a obra reclama.

Busquemos a paz e o próprio consolo além das cegas fronteiras dos palácios de ouro, da vaidade, do orgulho e do egoísmo, lançando os passos corajosos na fraternidade dedicada aos nossos irmãos, repousando assim o pensamento no seio amoroso de Deus. Sem nos precipitarmos com as chagas desventuradas da necessidade de agradar a todos o que configuraria nada além da “marcha do caminho largo, onde estão as mentiras da convenção” (Xavier, F.C. Boa Nova).

Tomemo-nos as palavras de Francisco de Assis como nosso hino de transformação moral, rogando aso céus: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”. Assim, santificando a nossa afeição, proporcionando aos irmãos a máxima da caridade e da alegria para que encontrem em nossos corações a sala iluminada pelo Mestre onde possam descansar tranquilos e ditosos. Em renuncia a esse amor verdadeiro, atenderemos ao chamado de Cristo, sem esperar recompensas além daquelas vindas de Deus. As mais belas horas da nossa existência serão sempre aquelas que empregarmos em amar os nossos irmãos, enriquecendo-lhes as satisfações íntimas repousaremos nos braços de Jesus.

Thaís Lúcia Machado da Silva Ramos é membro da Academia Espírita de Letras

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